O Arcadismo na Literatura
O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, foi um movimento literário que se desenvolveu no século XVIII (1700-1799). O nome faz referência à Arcádia, uma região mitológica da Grécia antiga tida como o ideal de vida bucólica e pacífica.
Contexto Histórico
O movimento surgiu no auge do Iluminismo (o Século das Luzes) e acompanhou a ascensão do pensamento científico e racional. Como reação ao estilo rebuscado, dramático e exagerado do Barroco, o Arcadismo propôs um retorno à simplicidade, ao equilíbrio e aos valores da Antiguidade Clássica (Greco-Romana).
Principais Características
- Fugere urbem ("Fugir da cidade"): Valorização da vida no campo e rejeição do caos urbano.
- Locus amoenus ("Lugar aprazível"): Representação da natureza como um refúgio acolhedor e sereno.
- Carpe diem ("Aproveite o dia"): O convite para desfrutar o presente, consciente da efemeridade do tempo.
- Aurea mediocritas ("Ameia-termo de ouro"): Busca pelo equilíbrio, moderação e rejeição aos excessos.
- Inutilia truncat ("Cortar o inútil"): Eliminação dos exageros formais e metáforas complexas típicas do Barroco.
- Pseudônimos Pastorais: Os poetas adotavam nomes de pastores fingidos para assinar suas obras.
Arcadismo no Brasil
No Brasil, o movimento teve seu marco inicial em 1768 com a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. O centro do movimento foi a região de Minas Gerais, impulsionado pelo ciclo do ouro, e esteve diretamente ligado a eventos históricos como a Inconfidência Mineira.
Principais autores brasileiros:
- Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)
- Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) — Autor de Marília de Dirceu.
- Basílio da Gama — Autor do poema épico O Uraguai.
- Santa Rita Durão — Autor do poema épico Caramuru.